O silêncio e a sombra a terra invadem.
Calam-se as aves. Descoradas, frias,
Sobre as hásteas inclinam-se as boninas.
Gemem as fontes nas escuras penhas,
E no meio dos ásperos fraguedos
Piam da noite os pássaros sinistros,
Livre das multidões impacientes,
E dos censores importunos livre,
Detém-se o Salvador do lago à borda:
Explica aos seus os íntimos intentos,
E os manda a Betsaída, ao lado oposto.
Quando juntos os vê, e o leve barco
Ao compasso dos remos, pouco e pouco
Faz-se ao largo, singrando as ondas mansas,
Busca o fastígio de escarpado monte,
E aí, sobre um penedo enegrecido,
Largo tempo sozinho ora e medita.