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1841–1875

VI

Luís Nicolau Fagundes Varela

Nas nuvens inflamadas do Ocidente Mergulhava-se o sol, — quente era a terra, E os píncaros dos montes escabrosos, E as grimpas dos salgueiros e ciprestes,

Ao purpúreo clarão do céu do estio Pareciam de sangue borrifados. Um longínquo trovão, rouco, sinistro, Tredo como o bramir das grandes onças

Nas amplas furnas de fragosas serras, Soava nas extremas do horizonte. Nem uma leve aragem pelos campos! Nem o piar de um pássaro nas frondes

Dos bastos olivais! Nem o balido De uma ovelha medrosa nos outeiros!... Então Martha parou mostrando a gruta Onde jazia o irmão: — Eis o sepulcro,

Senhor, de vosso amigo! — Ardente pranto Corria-lhe dos olhos; — arredada, Maria soluçava entre os arbustos. Bem no fundo da lapa cavernosa,

Frio abrigo das aves agoureiras, Avultava entre lúgubres rochedos O túmulo de Lázaro. Na sombra, Como um gênio cativo, murmurava

Oculto veio d’água; sobre a lousa Cruzava-se agitando as asas frouxas Um turbilhão de estriges e morcegos, Híbridos filhos dos trevosos antros,

De lado a lado esverdeadas penhas, Broncos pedaços de granito escuro Alongavam-se, rudes, como os dorsos De feios crocodilos que guardassem

Furna de pavorosos malefícios.

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