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1841–1875

V

Luís Nicolau Fagundes Varela

Deixando os verdes prados e as campinas Da Galileia superior, tristonho Desce o Jordão, e em meio de seu curso Perde em Genesaré, escuro lago,

O nome e a cor das águas celebradas, Para depois seguir mais cheio e forte Até o leito impuro do Mar Morto, Em cujas ondas fétidas, sulfúreas,

Segundo a tradição, jazem os restos De Sodoma e Gomorra. Às férteis bordas, Da banda ocidental, entre a frescura Dos bosques florescentes, lindas veigas,

Levantam-se choupanas de pastores, Belos casais e aldeias aprazíveis, Apriscos e currais, ledos retiros, Onde saltam formosos cordeirinhos,

E a voz dos pegureiros se mistura Às singelas cantigas das zagalas. Cafarnaum alveja entre as folhagens Das balsas odorosas, Betsaída

Espelha-se nas águas sussurrantes Que lambem-lhe as muralhas. Nesses sítios Onde do mundo as ambições não chegam, E a doçura do clima, a luz macia

De um céu sempre sereno alegra as almas, Demora-se o Senhor por algum tempo. Surdos boatos, agoureiras vozes, Chegam a seus ouvidos. Os sequazes

Dos grandes de Israel o povo iludem E açulam contra o filho de Maria. Buscam para o matar por toda parte. — É cedo ainda, — o Salvador murmura,

E descansa entre os seus calmo e tranquilo.

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