Como o clarão de solitária estrela
Entre os feios bulcões da tempestade
Consola os transviados navegantes
Na vastidão dos mares ominosos,
O doce aspecto do divino Mestre
Reanimou as decaídas frontes
Das lacrimosas, pálidas mulheres.
— Ah! se aqui foras, dizem suspirando,
Não fenecera nosso irmão tão cedo,
Teu amigo, Senhor! Mas tudo podes,
O que a teu Pai pedires será feito! —
— Não vos entristeçais, — responde Cristo,
Ele há de ressurgir. — No fim dos tempos,
No dia horrendo do juízo eterno,
Meu Deus, eu bem o sei! — Maria exclama.
— Sou a ressurreição, a excelsa glória,
Prossegue o Salvador, — fonte da vida,
Quem ouve minha voz, sepulto, embora,
Triunfará da morte; o que respira,
E sente, e pensa, e crê, durma tranquilo,
Jamais perecerá! — Onde puseste
O frio corpo desse pobre amigo? —
— Vem, e verás, responde a ingênua Martha.
Depois chamando a irmã silenciosa
Guia o Senhor ao túmulo de Lázaro,
Negro jazigo entre rochedos fundos.