A vinda de Jesus alegra o povo E as gentes alvoroça. Pressurosos, Correm a vê-lo aflitos e doentes Que a fama de seu nome alenta e move.
Ninguém chora debalde, ninguém pede Seu auxílio debalde, ninguém segue Debalde os rastros de seus pés divinos, Ninguém aos lares volta sem consolo!...
Ora, entre o povo humilde que se ajunta Para ouvir as verdades do Evangelho Ou implorar do Mestre os benefícios, Os fariseus e saduceus avultam:
Sempre invejosos, refalsados sempre, Tecendo enredos, invertendo os fatos, Buscam nos modos, nas ações, nas faltas, Na vida do Senhor e em seus princípios,
A sombra de uma ofensa à lei, aos usos, Ou às ordens cruéis de seus tiranos. — Mestre, fazei-nos ver algum milagre, Dizem dolosamente, as turbas contam
Que heis operado inúmeros prodígios, Nada porém sabemos; atendei-nos, Pois creremos em vós. — Não há cegueira Como a daqueles que rebeldes cerram
As pálpebras à luz, responde o Mestre. Abri os olhos, contemplai o mundo E milagres vereis por toda parte! Quando se esconde o sol, e o firmamento
De rubra e viva cor brilha e fulgura, Convosco murmurais: — calmo e sereno Será o dia de amanhã, pois rubro E formoso é o céu; mas, quando a aurora
Descorada aparece no Oriente Entre nuvens vermelhas, porém tristes, Dizeis convosco: — hoje haverá tormenta. Quê! Sabeis ler no céu, mas neste mundo
Não decifrais dos tempos os mistérios!... Oh! geração adúltera e perversa! Um milagre pedis em altas vozes, Mas só tereis de Jonas o milagre,
Que três dias passou no frio ventre De monstro horrendo em tenebroso abismo, E à luz voltou de novo! — Assim falando Afasta-se o Senhor, deixando-os pasmos.
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