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1841–1875

IX

Luís Nicolau Fagundes Varela

Detém-se os caminheiros e respiram, Sobre a relva descansam as mulheres, E as crianças alegres se espreguiçam; Está finda a romagem: um velho chefe,

De voz autorizada e grave porte, Chama os da sua idade e se dirigem Para o modesto e venerando asilo. Batem, pronunciando o santo nome,

O nome augusto de Jesus, e logo Abre-se a estreita porta, e como outrora, Nos belos tempos em que a fé suprema Prodígios operava, aos olhos ávidos

Dos filhos das florestas, aparece Formoso santuário, iluminado De brancos círios da mais fina cera Que as abelhas silvestres produziram,

Adornado de flores delicadas E alfaias preciosas, nunca vistas Das tribos do deserto. O grato fumo De odorosas resinas sobe em rolos

Dos braseiros de argila, e pouco e pouco Cerca o sagrado altar, onde pousada Aimagem do Senhor, lívida e magra, Coberta de feridas rubro-ardentes

Pende de negra cruz. — Louvado seja O Redentor do mundo! — exclamam todos, Homens, mulheres, velhos e crianças, Unindo as grossas mãos, baixando as frontes.

— Louvado seja o Redentor do mundo! Por todas as nações, povos e séculos! — Responde então no limiar da porta, Súbito aparecendo, o nobre vulto

De austero missionário, moço e belo, Mas triste como a estátua macilenta De um mártir d’outras eras, esquecida Em vasta catedral da meia idade.

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