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1841–1875

IX

Luís Nicolau Fagundes Varela

Era tarde!... Do ergástulo sombrio, Onde os castigos corporais se cumprem, Circundado de guardas e verdugos, Jesus descia então a larga escada.

No centro da prisão, na sala negra, Coberta de instrumentos de suplício, Alastrada de algemas e correntes, Rotos grilhões, ensanguentadas cordas,

Os algozes pararam. — Tu soluças? Tu escondes o rosto, ingênua musa? Oh! continua e chora! — Então, vergou-se O corpo do Senhor ao férreo peso

Das garras dos brutais executores; Caiu-lhe a pobre túnica, em pedaços, Nos doloridos pés! Depois... os golpes De amiudados, rábidos açoites,

Ecoaram nos fundos calabouços! Era o primeiro quadro do martírio!... Os bárbaros cansaram. Necessário Era que ao sangue se ajuntasse o escárnio.

Assim fora predito. Então puseram Sobre a cabeça do Divino Mestre A coroa da glória e do infortúnio, Um tecido de espinhos lacerantes!

Entre as mãos uma cana verdoenga Colhida nos pauis, e sobre as chagas, Sobre as vivas feridas, que as vergastas E os látegos abriram, — miseráveis!

Sórdido manto de grosseira crina! — Salve! Rei dos Judeus! — gritavam rindo! E lançavam-lhe ao rosto o imundo escarro Do ódio e do desprezo, e lhe atiravam

Sobre a sangrenta fronte descabida O Iodo da prisão e as imundices!

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