Eras de opróbrio, de ambições mesquinhas,
De vil degradação! A grande ideia
De um Deus Onipotente, Eterno e Justo
Perdia-se entre práticas profanas
E preconceitos vãos. — As velhas crenças,
As tradições heroicas do passado,
As lembranças dos santos patriarcas,
Tudo se corrompia e se alterava,
Mesclava-se por fim dos atros vícios
E dos usos pagãos dos estrangeiros.
Deixando as aras dos latinos deuses,
E os festins dos soldados crapulosos,
Sentavam-se os judeus no vasto templo
Expondo à venda joias e brocado,
Mágicos talismãs, rudes abraxas,
Amuletos grosseiros, e — miséria!
Apregoando pombos e outras aves,
Barganhando muares, e enganando
Do pobre povo a chã credulidade,
E filhos de Abraão se declaravam!