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1841–1875

IV

Luís Nicolau Fagundes Varela

Sobre os verdes outeiros, sobre os campos Meridionais das regiões brasílias, A noite estende vagarosa e muda O brando véu de estreitas salpicado.

Bela como a princesa do Levante Quando ao cair do dia ergue-se fresca Das marmóreas banheiras de seus paços, E para em meio dos degraus lustrosos,

Sacudindo da fronte peregrina Um chuveiro de líquidos brilhantes Sobre os finos tapetes que a circundam: Assim das alvas névoas do horizonte

Vem assomando a lua; e triste e bela, Nas portas do Oriente equilibrada, Derrama sobre as úmidas campinas A feiticeira luz. Nas lisas pedras,

Onde murmura trêmula e sentida A fonte do sertão, brinca e suspira Alinhando os cabelos perfumados A tímida mãe d’água, semi-nua,

A náiade das terras de Colombo. Dormem na selva as aves descuidosas Do dia de amanhã, que a Providência Por elas velará; lentas volteiam

As aragens do estio sabre os vales Da próspera e feliz Piratininga.

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