— Além de muitos casos milagrosos, Irmãos, contei-vos no serão passado, Da transfiguração o alto prodígio, A eleição dos apóstolos; e as santas
Instruções que lhes dera o amado Mestre Fiel vos repeti. Ouvi-me, atentos. O espírito de Deus nos ilumine, E inspire minha voz: em vossas almas
Caiam minhas palavras, semelhantes Às sementes fecundas do Evangelho. — Firme, incansável no divino empenho, Prossegue o Salvador; desde as vizinhas
Aldeias da Itureia, até os montes Da Judeia escabrosa, agreste e seca; Desde as praias do mar, ‘té as campinas Centrais de Traconites, corre a fama
De seu grande poder e de seus feitos. Entre soldados mil, nos fortes paços, Herodes estremece. — É João Batista, Que mandei degolar!... medroso exclama.
— É João Batista que deixou dos mortos A sombria mansão, e volta ao mundo Mais terrível ainda... — Oh, não! respondem Os perjuros hebreus, que humildes beijam
Os degraus de seu trono — é um profeta Igual aos d’outras eras! É, quem sabe... É Elias, que desce das alturas E traz consigo o raio da vingança! —
— Quê? — murmuram os mais, este mancebo Não nasceu entre nós? Não conhecemos, Porventura, seus pais e seus parentes? Que letras aprendeu? Aonde? Quando?
Como se atreve a professar doutrinas? Porém Jesus responde-lhes apenas: — Entre seus comarcãos e conterrâneos, Na casa de seus pais, nenhum profeta
É crido e bem aceito! — E imperturbável Passa, e os ouvidos cerra a tais rumores.
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