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1841–1875

III

Luís Nicolau Fagundes Varela

Ora, depois dos fatos mencionados No último serão, fatos sublimes Que eternos viverão no pensamento Das gerações remidas no Batismo,

Perseguido o Senhor pelos tiranos Retira-se a Betânia, aldeia humilde, Onde Martha e Maria aflitas choram Junto do pobre irmão, Lázaro, enfermo

Do mal terrível que tomou seu nome. Sabendo que Jesus próximo estava, Mandam logo avisar-lhe as infelizes: — Teu amigo perece, vem salvá-lo!

Amava Cristo o cândido mancebo. Sócio de infância, ingênuo companheiro De seus belos serões da mocidade; Se, Mestre, havia eleito outros discípulos

Para a grande missão, nos seios da alma A lembrança de Lázaro guardava Como um favo de mel, como um perfume, Ou como um talismã que o viandante

Guarda zeloso em ásperos desertos. Não se abalou contudo à triste, nova! Dois dias descansou no mesmo sitio, De alheios casos se ocupou tranquilo,

E por fim resolveu: — Bastante tempo Nestes almos retiros divagamos, Voltemos a Judeia. — Então surpreso Ponderou Simão Pedro: — vede, Mestre,

Os judeus contra vós se declararam! Que pretendeis fazer? — Não tem o dia Doze horas, dizei? — Quem anda à noite, Pela falta de luz não anda às cegas?

E quem anda de dia? Oh! Não se perde Que o sol brilhante aclara-lhe o caminho! — Mas depois destas místicas palavras, Qual um fraco romeiro deslembrado,

A quem súbito açode o pensamento, E a consciência do dever acorda A memória infiel, diz em voz alta: — Lázaro dorme!... — Se ele dorme, vive,

Se ele vive, não sofre! — atalha Pedro. — Expressão pueril de um gênio simples! Exclama o Salvador, nem sempre o sono A vida revelou: — Lázaro é morto!

Quis a fé conhecer que vos anima, Deixei que sucumbisse; agora vamos, Vereis de perto a lúcida verdade. — — Vamos, Tomé murmura, vamos todos,

E nós todos com ele morreremos! — Ver para crer! — Estólido provérbio! Depois seguindo o soberano Mestre O caminho tomaram de Betânia.

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