Era chegado o dia dos pães asmos, O dia em que os judeus principiavam, Segundo as tradições e a lei antiga, Do pão não levedado a fazer uso:
Era o dia da Páscoa. O povo e os grandes Soíam celebrar a velha data, Reunindo os amigos e os parentes Em uma alegre ceia, santa regra
De memorandas eras respeitada Plácida e bela nos tranquilos campos Estendia-se a tarde, e as lindas flores Que se inclinavam murchas, abatidas,
Nas bordas dos arroios, levantavam-se Rescendentes de aromas aos bafejos Das aragens sutis; os passarinhos Despediam-se ao longe, nos silvados,
Do dia que passava. — Sobre um monte Distante da cidade estava Cristo, Rodeado dos seus: funda tristeza Do claro rosto lhe alterava os traços.
Então, quebrando o místico silêncio Das reflexões divinas, perguntaram Seus singelos amigos: — Onde queres A Páscoa celebrar? Correm as horas
Sem pensarmos no santo cumprimento Deste antigo preceito. — O que resolves? Onde iremos, Senhor? — É tempo ainda De atendermos à lei — Jesus responde.
Depois chamando João e o velho Pedro: — Parti, lhes disse, às portas da cidade, Virá ao vosso encontro um homem pobre, Carregando uma bilha; acompanhai-o.
Na casa onde ele entrar, entrai vós outros, Falai ao morador: — ordena o Mestre Que nos mostres a sala destinada Ao banquete da Páscoa. Oficioso
Logo vos abrirá claro aposento De alfaias adornado, lindos quadros, E guirlandas de flores; bem no centro Mesa patriarcal vereis coberta
De fina louça e ânforas lustrosas; É o lugar da ceia. Ide depressa, Procurai os manjares necessários, A tenra carne do pascoal cordeiro,
O vinho generoso e o pão macio; Esperai-nos depois. — Partiram logo Os dois ingênuos, cândidos amigos, Levando as instruções do augusto Mestre.
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