Que sinistro clarão expele as sombras
Das ruas tortuosas, mal calçadas,
E alumia os grosseiros edifícios
Da cidade vetusta? Que luzeiros
Agitam-se nas trevas, numerosos,
Como as chamas fugazes que tremulam
Nos campos de batalha, às horas mortas,
Quando o gélido orvalho se pendura
Das tendas dos guerreiros? Que rumores,
Que vociferações ímpias e feras,
Turbam a quietação das ermas praças,
Derramando o pavor pelas moradas
Do miserando povo? — O que procuram
Esses vultos incertos, macilentos,
Armados de bastões e de alabardas?
Onde vão esses rudes quadrilheiros,
Cujas lanças delgadas e lustrosas
Relampejam nas trevas? — Bravo e forte,
Nos horrores do crime endurecido
Deve de ser o malfeitor que arrastam
Aos tribunais supremos. — Cautelosos,
Convém cercar o monstro, que não fuja,
Zeladores sublimes da justiça!...
Oh! divino Jesus! Manso cordeiro!
Gênio da caridade e da doçura!
Luminar da inocência!... És tu que passas
Qual um facinoroso das montanhas,
Acusado de atrozes morticínios!
És tu, que triste e pálido caminhas,
Como um feroz jaguar das cordilheiras,
Que os homens do sertão levam cativo
Ás aldeias remotas! — Salve, Cristo!
Teu reinado começa neste mundo!