Skip to content
1841–1875

III

Luís Nicolau Fagundes Varela

Que sinistro clarão expele as sombras Das ruas tortuosas, mal calçadas, E alumia os grosseiros edifícios Da cidade vetusta? Que luzeiros

Agitam-se nas trevas, numerosos, Como as chamas fugazes que tremulam Nos campos de batalha, às horas mortas, Quando o gélido orvalho se pendura

Das tendas dos guerreiros? Que rumores, Que vociferações ímpias e feras, Turbam a quietação das ermas praças, Derramando o pavor pelas moradas

Do miserando povo? — O que procuram Esses vultos incertos, macilentos, Armados de bastões e de alabardas? Onde vão esses rudes quadrilheiros,

Cujas lanças delgadas e lustrosas Relampejam nas trevas? — Bravo e forte, Nos horrores do crime endurecido Deve de ser o malfeitor que arrastam

Aos tribunais supremos. — Cautelosos, Convém cercar o monstro, que não fuja, Zeladores sublimes da justiça!... Oh! divino Jesus! Manso cordeiro!

Gênio da caridade e da doçura! Luminar da inocência!... És tu que passas Qual um facinoroso das montanhas, Acusado de atrozes morticínios!

És tu, que triste e pálido caminhas, Como um feroz jaguar das cordilheiras, Que os homens do sertão levam cativo Ás aldeias remotas! — Salve, Cristo!

Teu reinado começa neste mundo!

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
III · Luís Nicolau Fagundes Varela · Poetry Cove