Sentado sobre um céspede, no monte,
Contempla o solitário pensativo
Os vastos descampados, resplendentes
De cambiantes fogos; porém, quando
Desaparece além a ígnea esfera
A outras regiões levando a vida,
Ajoelha-se e ora; depois toma
O nodoso bordão que ao lado estava,
E desce da montanha. A seu encontro
Corre a formosa e tímida Naída.
Uma ligeira nuvem de tristeza
Empana os olhos da gentil menina.
— Mestre, dizei-me, balbucia, os sonhos
Alguma vez traduzem a verdade?
Guardam algum sentido? — O que perguntas,
Insensata criança! Porventura,
Podem as ilusões loucas, falazes,
Da solta fantasia, apresentar-nos
Alguma cousa mais do que mentiras? —
— Assim também o creio, porém, tremo!
Esta noite sonhei, sim, foi um sonho,
Mas um sonho terrível!... — Vamos, conta
Esse terrível sonho. — Não... mais tarde. —
O padre não insiste. Vagarosos
Caminham para o novo eremitério,
Onde os espera o povo impaciente.