Medonha fora a noite que passara! Medonho fora o dia! Intensas turbas De feros inimigos do Evangelho, Rudes cabildas de remotas brenhas,
As veredas cercaram das planícies Onde soem passar os malfadados Para ouvirem as prédicas do sábio, E uma luta travaram sanguinosa,
Desleal e covarde! Sobre o campo Muitos ficaram, bravos combatentes; Muitos também caíram, cujos pulsos Não podiam vibrar ligeira flecha
Nem suster um carcás: débeis crianças Que das míseras mais o doce nome Balbuciavam tímidas ainda! Velhos inermes, trêmulos enfermos,
Que os prudentes conselhos do profeta As dores e os pesares mitigavam! Depois d’este nefário morticínio Se espalhavam, rugindo pelas matas,
Sequiosos de sangue, ébrios de raiva! Cruenta provação! Fortes, embora, Proibia a vingança a lei sagrada Aos que da Cruz o lábaro seguiam,
Era a defesa o único partido Que cumpria tomar: para a defesa Preparavam-se, pois, infatigáveis Se outras afrontas e agressões tentassem
As hordas dos demônios vagabundos. O estoicismo do Mestre assombra as tribos! Nenhum guerreiro contemplara a morte Tão sereno, tão firme, e tão seguro
Como o homem da paz. Quem recuara Quando dele partia o nobre exemplo? Porém, reina o silêncio entre os conversos, As fogueiras flamejam, derramando
Na espessura das silvas odorosas Vacilantes clarões, — o missionário Levanta a voz suave e assim se exprime: — Deixemos repousar os lidadores,
Os heróis que morreram defendendo A verdade e a fé: bravos cumpriram O dever de Cristãos e de guerreiros. Destemidos como eles, neste solo
Onde o sangue verteram, descansemos Confiantes no Deus das almas puras. Fiquem de parte as clavas formidáveis, Os finos dardos, a cruel vingança,
O ódio que prepara ervadas flechas, E olhos fitos na estreita fulgurante Que outrora protegia os velhos magos, Prossigamos de Cristo a santa história.
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