Silêncio! As trevas desbotam
Seu carregado negror;
Vai pouco a pouco surgindo
Matutino resplendor.
Por entre nuvens de púrpura
Assoma visão celeste,
Real aspecto mostrando
No ar, na forma e na veste.
Cinge um manto, um cetro empunha,
que um dragão tem por emblema;
Vinte estrelas-sóis flamejam
No circ’lo do seu diadema.
Na destra suspende um mundo:
Mais vigoroso que Atlante,
Firme os pés, apóia o cetro
Sobre o dorso de um gigante.
A claridade que o cerca
É seu olhar que a produz;
Não vê somente, dá vista;
Não tem só, difunde a luz.
Dessa luz iluminados,
Com pasmo e prazer profundo,
No vulto reconhecemos
Nosso pai — Pedro Segundo