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1826–1864

VI

Laurindo José da Silva Rabelo

Já sinto da geada dos sepulcros O pavoroso frio anregelar-me... A campa vejo aberta, e lá do fundo Um esqueleto em pé vejo a acenar-me...

Entremos. Deve haver nestes lugares Mudança grave na mundana sorte; Quem sempre a morte achou no lar da vida Deve a vida encontrar no lar da morte.

Vamos. Adeus, ó mãe, irmãos, e amigos! Adeus, terra, adeus, mares, adeus, céus!... Adeus, que vou viagem de finados... Adeus... adeus... adeus!

Adeus, ó sol que, amigo iluminaste Meu pobre berço com os raios teus... Ilumina-me agora a sepultura: — Adeus, meu sol, adeus!

Florezinhas, que quando era menino Tanto servistes aos brinquedos meus, Vegetai, vegetai-me sobre a campa: — Adeus, flores, adeus!

Vós, cujo canto tanto me encantava, Da madrugada alígeros orfeus, Uma nênia cantai-me ao pôr da tarde: Passarinhos, adeus!

Vamos. Adeus ó mãe, irmãos, e amigos! Adeus, terra, adeus, mares, adeus, céus!... Adeus: que vou viagem de finados!... Adeus!... adeus!... adeus!

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