Na Tribuna,
Prometendo um Demóstenes futuro,
O jovem aparece; e vi o povo
Imenso, pasmo, imóvel, todo ouvidos
A vê-lo combater, e Paladinos
Formidáveis caindo aos golpes dele!
Vi sobr’ele lançando olhares torvos,
Trêmulos d’ira, os Áulicos ralarem-se,
Quando um sarcasmo seu rápido e fino,
Voando num motejo improvisado
De leve sulco de um sorriso irônico
Nos corações de orgulho intumescidos
Lhes mastigava as fibras da vaidade.
Vi, e vi muitas vezes, confundidos
Ante o moço orador os Mandatários
Do despotismo, quando pretendiam
Seus golpes rebater, presas as línguas,
Disparatado o curso das idéias,
Perderem-se de todo, e dar-lhe humildes
O vergonhoso culto do silêncio.
Vi-o, e pasmei de o ver, assim, tão jovem;
E, concentrado em mim, disse comigo: —
Não pode viver muito!