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1826–1864

SUSPIROS E SAUDADES

Laurindo José da Silva Rabelo

Depois de tantas perdas só restou-me Na soledade, Em que deixou-me a dor, para consolo Roxa saudade.

Esta flor, tão estéril nos prazeres, Quando em retiro Quase sempre do seio magoado Brota um suspiro.

Achava estes suspiros e saudades Encantadores, Embora fossem flores da tristeza, Sempre eram flores.

Demais, quem tem das ditas deste mundo Chegado ao termo, Quem traz de ingratidões e desenganos O peito enfermo;

Quem tem com a flor que às almas venturosas Do prazer fala? Que ao ver-lhe o coração trajando luto Traja de gala?

A tristeza que tendes, minhas flores, É vosso encanto. E como éreis formosas orvalhadas Pelo meu pranto!

Mas secastes também?! Faltou-vos água? Demais tivestes. Fogo? Desde nascidas sempre em chamas De amor vivestes.

Secastes? Com razão, que destas flores Certo não é Verdadeiro alimento, água nem fogo Faltando a fé.

Vivem com fogo e água, se dos prados Nascem no chão; Mas não se flores d’alma dentro d’alma Nascendo vão.

Quando morta a f’licidade, A fé expira também! Saudades de que se nutrem? Os suspiros que alvo têm?

Morta a fé, vai-se a esperança, Como pois viver pudera Saudade que não tem crença, Saudade que desespera?

Onde as graças do passado, Se altivo gênio sanhudo O cepticismo nos brada, Foi mentira, engano tudo?

Em nada creio do mundo: Ludíbrio da desventura A f’licidade me acena, Só de um ponto — a sepultura.

Morreram minhas saudades, E meus suspiros calados Dentro d’alma pouco a pouco Vão morrendo sufocados.

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