Glória aos anjos que firmando
Deste império a monarquia,
Contra as iras da anarquia,
Do seu trono a glória são.
São duas virgens formosas,
Cujos sublimes destinos
Nos rostos, quase divinos
Bem retratados estão.
Inda que cegos nem vê-las
Por um momento possamos,
É assim que as desenhamos
Em nossa imaginação.
Firmes e ledas na vida
Caminham da glória ao templo,
Guiadas pelo exemplo
Que os pais augustos lhes dão.
O perfume da inocência
Que das flores d’alma exalam
Quando riem, quando falam,
Avassala o coração.
Quem as ouve, embora a mente
Ao trono se não remonte,
Curva os joelhos e a fronte,
Para beijar-lhes a mão.
E nós, cegos infelizes,
Quando a destra lhes beijamos,
Dentro d’alma sufocamos
Um pranto de gratidão.