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1826–1864

RISO E MORTE

Laurindo José da Silva Rabelo

Eu vim ao mundo chorando, Chorar é o meu viver; Quando eu deixar de chorar, Estou prestes a morrer.

Quando a alma ao infortúnio Assim ligado se tem, Como termo da desgraça A morte não longe vem.

Quando eu deixar de chorar, Quando contente me rir, Não se enganem, desconfiem, Que não tardo a sucumbir.

Vem, oh! morte, ver meu pranto. Não receies, podes vir; Choro nos braços da vida, Nos teus braços me hei de rir.

Muitas vezes um prazer Que parece de ventura, Não é mais que um riso d’alma Vendo perto a sepultura.

O feliz ri-se da vida Por ver nela o seu jardim; O desgraçado, na morte Por ver da desgraça o fim.

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