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1826–1864

O QUE FAZ MINHA DOR

Laurindo José da Silva Rabelo

Um pensamento de morte, Uma lembrança de amor, Uma esperança perdida, Eis o que faz minha dor!...

Tive no mundo da mente Formosos dias serenos, Como os do céu sempre amemos Em doce paz inocente.

Dos desgostos a torrente Em um rápido transporte, Por má vontade da sorte, Me fizeram num momento

Do meu feliz pensamento “Um pensamento de morte!” A minha alma escureceu-se Do pensamento nublada,

E a mente desnorteada Em negro caos converteu-se! Um mar de pranto — estendeu-se Naquele mundo de horror;

E no medonho fragor Da tormenta desabrida Vaga nas ondas, perdida, “Uma lembrança de amor!”

Cresce a celeste batalha, E na vasta escuridade Sem cessar, da tempestade O raio o manto retalha

A flutuante mortalha, Vaga sempre! Convertida Aquela idéia de vida Num sudário desta sorte,

Retrata, emblema da morte “Uma esperança perdida.” Em pé firme e solitária, Minh’alma fora insensível

À tempestade terrível, Contínua, crescente e vária!... Mas a veste mortuária, Que das ondas vai na flor,

Mortalha do meu amor, Dantes saudosa lembrança... Hoje perdida esperança... “Eis o que faz minha dor!...”

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