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1826–1864

O DESALENTO

Laurindo José da Silva Rabelo

Quando eu morrer, minha morte Não lamentes, caro amigo, Que o sepulcro é um jazigo Onde eu devo descansar;

A minha triste existência É tão pesada, é tão dura, Que a pedra da sepultura Já me não pode pesar.

Uma lágrima, um suspiro, Eis quanto custa o morrer; Custa-nos sempre o viver Prantos, suspiros, sem fim!

Que tormento fora a vida, Se não fosse transitória!?... Não me risques da memória, Porém não chores por mim.

Enchem trevas o sepulcro, Mas ninguém delas se queixa; Quando o morto os olhos fecha, Não quer luz, quer sossegar;

Aquele fundo silêncio, Aquele extremo abandono, Dão-lhe tão profundo sono, Que nem pode despertar.

Já tive medo da morte, Agora tenho da vida; Sinto minha alma abatida, Sem vigor o coração;

Já cansado de viver, Para a morte os olhos lanço; Vejo nela o meu descanso, A minha consolação.

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