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1826–1864

NO ÁLBUM DUMA SENHORA

Laurindo José da Silva Rabelo

Meu nome aqui deixara solitário Escrito nessa cor; Com que desde nascido as faixas d’alma Tingiu-me o dissabor;

Meu nome aqui deixara solitário Em traço negro incerto, Qual friso do buril da desventura Em claro plano aberto;

A não temer que alguém, que não soubesse O que este nome diz, Ao vê-lo neste livro me insultasse Chamando-me feliz.

Saiba, pois, quem o ler, que de uma Virgem No livro afortunado Seu nome escuro, como seu destino, Escreve um desgraçado!

Sobre ele verta a Virgem uma lágrima Do seu pranto celeste, Que talvez se desbotem os negrumes Do luto que o reveste.

Sim, ó Virgem, do pranto de teus olhos, Concede, sim, concede Uma lágrima triste ao pobre nome Que lágrimas só pede!

De teus olhos quisera uma centelha Um peito do vulcão; Ao contrário, porém, só pede pranto Um morto coração!

O sol ilumina, a gala ofende Ao solo mortuário: Só sobressaem os cristais do pranto Dos mortos no sudário.

Eia, pois, cair deixa neste nome O teu pranto celeste; Que talvez se desbotem os negrumes Do luto que o reveste.

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