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1826–1864

IX

Laurindo José da Silva Rabelo

Morreu!... porém na hora derradeira Inda resplandeceu! O homem justo, Entre as vascas do eterno passamento, Em ânsias e fadigas se atribula,

Mas no momento de deixar a terra, Para voar a Deus, forças recobra, E como astro da fé no céu da morte, Qual em vida luziu, luzindo acaba.

E como a luz, que triste bruxuleia Prestes a se apagar, mas no lampejo Da convulsão final aviva o lume, E com dobrado resplendor expira.

É como o sol no ocaso enlanguecido, Que desmaiado arqueja agonizante Do mar nas ondas apagando os raios, Mas que altivo e zeloso de seus foros,

P’ra morrer como sol, antes que morra Com duplicada luz alaga o mundo. Assis assim morreu. Na ânsia extrema Da mortal agonia, toda inteira

Su’alma concentrada num só ponto Para da carne disparar seu vôo, Luz celeste expandiu; ao clarão dela O mundo apareceu-lhe como um doudo

Enfeitado, brincando com as alfaias; Sorriu-se, desprezou-o, e seu desprezo Todo se traduziu nessa sentença, Com que sábio fechou, morrendo sábio,

O livro d’ouro da existência sua.

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