Skip to content
1826–1864

IV

Laurindo José da Silva Rabelo

Beleza, doce engano, Mimo, que o tempo deu, que o tempo acaba; Encantadora nuvem, mas efêmera, Que da cor do pudor n’os céus vagueia,

Qual suspiro de amor que aos céus se eleva; Beijada pelo sol, tímida aurora, Também fenecerás! Trevas do túmulo Aos lumes da existência

Sucederão funéreas; Serão consócios teus mudo silêncio, Sombras, escuridão, vermes, e terra. Lestes, belas? Tremeis? Magos encantos

Baceia a mão do tempo, arrasa a campa: Porém do Gênio à voz — curva-se o tempo: Quebra o sepulcro a laje aos pés do Gênio. Não!... de todo não morre uma beleza

De um Gênio idolatrada; Que a luz brilhante, que lhe anima os carmes O luzento fanal, que o ilumina Nas borrascas da vida,

Jamais, jamais se apaga.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
IV · Laurindo José da Silva Rabelo · Poetry Cove