Outro fantasma, a glória, Da passada visão invade o posto. Pelos mares risonhos da esperança Ao batel do desejo abrindo as velas
Minh’alma foi buscá-lo. De pintor bem falaz condão tem ele Muito para temer; do entusiasmo Nas lavas do vulcão acende o facho,
Que os desenhos lhe aclara: esposa amante, Dá-lhe, a imaginação, seus cofres todos, Donde tira estampas que copia Nas telas do futuro. De seus quadros
Na beleza enlevada a viajante Navega sem sentir. Eis ponto negro No azulado horizonte surge, e estende
Asas de tempestade! Às vistas magas Reposteiro de ferro mão ignota Rápido corre, e presto em lastro imenso De aguçados cachopos se convertem
As aniladas ondas. Rola o lenho Por sobre o pedregal, e mastro e leme, Enrolados na vela espedaçada, O sopro de um tufão some nos ares!
Rompendo a cerração espectro em osso De repente aparece, sacudindo Na destra uma mortalha: envolto nela Desceu meu pai à campa!...
Musa, basta... Pare-se um pouco aqui; nas tuas asas, Que não neste papel, corra meu pranto... Apara-o, anjo meu; depois os mares
Transpõe... o lar dos mortos não te assusta — Não é assim? Pois bem, irmã querida, Na terra — nossa mãe — suspende os vôos; Busca a sombria região dos túmulos,
E lá, depois de um beijo dar na campa De nosso amado pai, depõe sobre ela Este pranto que verto. Enfim bonança
Ímpia resplandeceu sobre os destroços Que fez o vendaval. Único vivo, Em pé sobre um rochedo, contemplei-os E ri-me... e neste riso agonizou-me
A última esperança... foi a síntese De minha vida inteira; — estreita fresta Por onde, desmaiada e quase morta, Minh’alma um raio morno
De prazer sepulcral mandava ao mundo. E o Gênio, que viu meu berço, Dentre os cachopos surgiu, E olhando os estragos riu,
Contente de minha dor. Do Gênio estava completa Toda inteira a profecia: Era o que o Gênio dizia
No seu riso mofador.
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