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1826–1864

IV

Laurindo José da Silva Rabelo

O Berço do nascimento, Ou em palácio opulento Trajando a gala real, Ou cama de palhas feita

Onde a escrava o filho deita Enrolado no sendal; O Céu que a primeira prece, De tarde ou quando amanhece,

A criança ouvia rezar, Quer puro, e ledo sorrindo, Quer furioso bramindo, Fuzilando a trovejar;

O lugar onde primeiro O coração todo inteiro, Amor dizendo, se abriu; Prado florente e risonho,

Ou vale escuro e medonho, Que sangue humano tingiu; A pátria, enfim, tem encantos, Tão sedutores e tantos,

Que não se pode vencer! É uma visão divina, Que a vida nos ilumina, E nos segue até morrer;

Mas também o porto amigo Onde nos braços consigo A amizade nos levou, E d’alma, toda chagada,

As feridas consternada Uma por uma curou; Onde destras apertamos Em que pasmados achamos

O calor só natural A chama que o céu ateia, Quando veia, sobre veia Sente sangue paternal;

Essa terra benfazeja, Inda que pátria não seja, Igual atrativo tem; E o estranho protegido

Pode, sendo agradecido, Chamá-la pátria também. Lisonja, adulação, alcunhe embora, O vulgo o puro amor que te consagro,

O culto que te rendo; Recebeste o meu pranto no teu seio, Da fortuna enjeitado perfilhaste-me, Pátria, teu filho sou, e assim te adoro.

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