Skip to content
1826–1864

IV

Laurindo José da Silva Rabelo

Creio em Deus, minha irmã; e tanto creio Que, vendo lá no céu tua alma pura, Em vez de maldições, mil bênções voto À hora em que desceste à sepultura!

Creio em Deus, minha irmã; tanto que espero, Inda no céu contigo, como outrora, Frescas rosas colher desabrochadas À luz dos raios da divina aurora.

Creio em Deus, minha mãe; em tua bênção Reconheço um tesouro divinal, Que do trono infinito a mão do Eterno Segue o traço da bênção maternal.

Creio em Deus, minha mãe; tanto que espero Qu’inda a terra do meu funéreo leito — Por teu maternal pranto semeada — Me brote um verdadeiro amor-perfeito.

Creio em Deus, creio em Deus; o bardo amigo, E por isso inda creio que, se o fado, Se não na minha pátria, neste solo Me permitir morrer junto a teu lado,

Por talismã da fé que nós sagramos E sincero tributo de amizade, Na terra que cobrir-me as frias cinzas Plantarás um suspiro, uma saudade.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
IV · Laurindo José da Silva Rabelo · Poetry Cove