Creio em Deus, minha irmã; e tanto creio
Que, vendo lá no céu tua alma pura,
Em vez de maldições, mil bênções voto
À hora em que desceste à sepultura!
Creio em Deus, minha irmã; tanto que espero,
Inda no céu contigo, como outrora,
Frescas rosas colher desabrochadas
À luz dos raios da divina aurora.
Creio em Deus, minha mãe; em tua bênção
Reconheço um tesouro divinal,
Que do trono infinito a mão do Eterno
Segue o traço da bênção maternal.
Creio em Deus, minha mãe; tanto que espero
Qu’inda a terra do meu funéreo leito
— Por teu maternal pranto semeada —
Me brote um verdadeiro amor-perfeito.
Creio em Deus, creio em Deus; o bardo amigo,
E por isso inda creio que, se o fado,
Se não na minha pátria, neste solo
Me permitir morrer junto a teu lado,
Por talismã da fé que nós sagramos
E sincero tributo de amizade,
Na terra que cobrir-me as frias cinzas
Plantarás um suspiro, uma saudade.