As Potências do Ocidente
Com as Águias e os Leões,
Ou tomam Sebastopol,
Ou deixam de ser nações.
Já de suportar cansado
Tanta injúria moscovita,
Um povo acolá se agita
Da guerra soltando o brado!
Dos canhões de Rei mitrado
Retumba o eco imponente,
Que em defesa da inocente
Fraca, mas briosa terra,
Acorda, e convida à guerra
As potências do Ocidente.
Eram rivais... mas que importa!
Um povo herói tudo esquece,
Se outro povo, que padece,
A defendê-lo o exorta.
Não, cair não há de a Porta,
Não há de rojar grilhões,
Não há de que seus brasões
Vão defender com pujança
A Inglaterra e a França
Com as Águias e os Leões.
Ei-las no campo de glória,
Que com puro sangue lavam,
E cada luta que travam
É uma nova vitória!...
Da humanidade e da história
Seguidas pelo farol,
Juram ambas pelo sol
Dos livres, em que se abrasam,
Que Sebastopol arrasam,
Ou tomam Sebastopol.
Hão de tomá-la!... arrastada
Do autocrata a bandeira,
Há de ser a pregoeira
Desta verdade sagrada:
“Que nações que pela espada
“Pretendem usurpações,
“Que, vis escravos, grilhões
“Às suas irmãs destinam,
“Ou como Tróia terminam,
“Ou deixam de ser nações.”