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1826–1864

III

Laurindo José da Silva Rabelo

Morrem as estações, morrem os tempos! Morrem os dias, como as noites morrem: Também acaba o homem — E o Anjo do extermínio, desdenhoso,

Encara estultas pompas, que distinguem O servo do senhor, o rei dos povos; E fazendo correr-lhes pelas frontes A rasoura da morte, traça o nível.

Que cabe aos homens todos. Tudo no mundo expira: Só sobranceiro à lousa o Gênio altivo Nos vôos acompanha a eternidade!

Soberbo em seu poder persegue a morte, E consegue vencê-la, Mil vítimas lhe arranca, E da imortalidade nos altares

As mostra coroadas. Em vão do manto esquálido A bárbara sacode o voraz verme No cadáver do sábio;

Lá desce o Gênio intrépido, Em vão as frias cinzas lhe arremessa Nos abismos do olvido; E, ao lume da lanterna da memória,

Ajunta as cinzas, sopra o fogo santo Da santa poesia, O sábio ressuscita e pasma o mundo!

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