Morrem as estações, morrem os tempos!
Morrem os dias, como as noites morrem:
Também acaba o homem —
E o Anjo do extermínio, desdenhoso,
Encara estultas pompas, que distinguem
O servo do senhor, o rei dos povos;
E fazendo correr-lhes pelas frontes
A rasoura da morte, traça o nível.
Que cabe aos homens todos.
Tudo no mundo expira:
Só sobranceiro à lousa o Gênio altivo
Nos vôos acompanha a eternidade!
Soberbo em seu poder persegue a morte,
E consegue vencê-la,
Mil vítimas lhe arranca,
E da imortalidade nos altares
As mostra coroadas.
Em vão do manto esquálido
A bárbara sacode o voraz verme
No cadáver do sábio;
Lá desce o Gênio intrépido,
Em vão as frias cinzas lhe arremessa
Nos abismos do olvido;
E, ao lume da lanterna da memória,
Ajunta as cinzas, sopra o fogo santo
Da santa poesia,
O sábio ressuscita e pasma o mundo!