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1826–1864

II

Laurindo José da Silva Rabelo

Mas inda que a sorte Um estro me desse, Que aos astros pudesse Teu nome elevar;

Enquanto vir triste Com dores pungentes A pátria em correntes, Não posso cantar.

Não posso cantar; Enquanto vir bravos Rojar como escravos Infame grilhão:

Curvando a sicários A fronte sublime! Submissos, sem crime, Pedindo perdão!

Não posso cantar, Enquanto um malvado Poder infamado, Audaz, sem pudor,

Com seu bafo infecta Brasílio horizonte, Trazendo na fronte — Prevaricador —;

Enquanto essa gente, Tão ímpia e tão vil, Meu caro Brasil Puder governar;

Com a pátria inundada De luto e de pranto, Não posso ter canto, Não posso cantar.

Porém se algum dia O fero domínio Do ímpio extermínio Tiver de morrer;

Se o povo, esquecido De loucos enganos, Um dia os tiranos Quiser abater;

Se um dia, cansada De tanta maldade, Soltar Liberdade Seus raios da mão,

E os ceptros pesados Dos reis fementidos, Por eles fundidos, Rolarem no chão:

E as nossas campinas E prados virentes, E os céus de contentes, Trajados de azul.

Ouvirem os hinos Da livre coorte Da parte do Norte, Da parte do Sul;

E os grandes Andradas, Canecas, Machados E mais nomeados Por alto valor,

De lá do Empíreo Tais cantos ouvindo, Saudarem, se rindo, Seu povo senhor;

Então minha lira, Coberta de flores, Já livre, louvores Podendo entoar,

Aos doces encantos Da quadra formosa Virá sonorosa Teus anos cantar.

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