Mais um ano hoje contas, mais um dia
Desses que valem anos te é marcado.
Vês em redor de ti os teus, contente,
Vês um grupo de amigos a teu lado.
Contente a verde prole nos teus braços
Em transporte de amor hoje se lança;
Na mãe dos filhos teus vês a bondade,
E vês em cada filho uma esperança.
Filhos! não iludis os seus desejos,
Não deis às esperanças desenganos;
Vosso pai já velou nos anos vossos,
Compete-vos velar sobre seus anos.
Vede, os anos passaram-lhe na fronte
Sem lhe deixar um sulco de desgosto;
Respeitai o que os tempos respeitaram,
Não aumenteis as rugas do seu rosto.
Começa o ancião a encanecer-se,
E já lhe vejo as têmporas nevadas;
Ah! mais do que a ninguém, incumbe aos filhos
Conservar de seu pai as cãs honradas.
Um pai não vive em si, nos filhos vive,
Mal sentem estes os vitais lampejos,
Todo o bem, que é só seu, o pai esquece,
O bem dos filhos seus são seus desejos.
Dá-lhe Deus a ciência do futuro
Ganhada dos trabalhos pelo trilho,
Quando do amor paterno iluminado
O pai sempre conhece o bem do filho.
Amortalha, portanto, o seu futuro,
Cair no precipício certo vai
O filho que o amor paterno esquece,
Desprezando um conselho de seu pai.
Filhos, beijai a destra deste velho,
É a bênção de Deus nela encarnada:
Ele vos deu segura mocidade,
Dai-lhe também velhice afortunada.