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1826–1864

II

Laurindo José da Silva Rabelo

Mais um ano hoje contas, mais um dia Desses que valem anos te é marcado. Vês em redor de ti os teus, contente, Vês um grupo de amigos a teu lado.

Contente a verde prole nos teus braços Em transporte de amor hoje se lança; Na mãe dos filhos teus vês a bondade, E vês em cada filho uma esperança.

Filhos! não iludis os seus desejos, Não deis às esperanças desenganos; Vosso pai já velou nos anos vossos, Compete-vos velar sobre seus anos.

Vede, os anos passaram-lhe na fronte Sem lhe deixar um sulco de desgosto; Respeitai o que os tempos respeitaram, Não aumenteis as rugas do seu rosto.

Começa o ancião a encanecer-se, E já lhe vejo as têmporas nevadas; Ah! mais do que a ninguém, incumbe aos filhos Conservar de seu pai as cãs honradas.

Um pai não vive em si, nos filhos vive, Mal sentem estes os vitais lampejos, Todo o bem, que é só seu, o pai esquece, O bem dos filhos seus são seus desejos.

Dá-lhe Deus a ciência do futuro Ganhada dos trabalhos pelo trilho, Quando do amor paterno iluminado O pai sempre conhece o bem do filho.

Amortalha, portanto, o seu futuro, Cair no precipício certo vai O filho que o amor paterno esquece, Desprezando um conselho de seu pai.

Filhos, beijai a destra deste velho, É a bênção de Deus nela encarnada: Ele vos deu segura mocidade, Dai-lhe também velhice afortunada.

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