Rosas, rosas, que a aurora me atirava
Aos punhados do céu, quando eu menino,
Vendo-a seguir do mar, do céu, dos montes,
Mandava-lhe minh’alma num sorriso
Inocente como ela; que mau gênio
Roubou-vos a meus olhos!... Rosas, rosas,
Que nos brincos da tarde me trazia
Do jardim paternal a irmã correndo
Para me dar em troca de um abraço...
Ai! sempre, rosas, sempre me ganháveis
Por um abraço-mil, por cada pétala
Abrasados de amor — milhões de beijos!
Murchastes de calor?!... foi tanto o fogo,
Que vos matou tão cedo?... Amor não mata;
Gira um vulcão de vida em cada chama
Que acende o facho seu: de um deus amante
A palavra de amor deu vida ao mundo...
Se dei-vos tanto amor, por que morrestes?...
Quem vos murchou tão cedo?... Rosas, rosas
Que nos brincos da tarde me trazia
Do jardim paternal a irmã correndo
Para me dar em troca de um abraço!...