Indagais meu sofrer! Buscai na terra
O ente mais formoso,
Aquele que do céu for mais mimoso —
Que todo meu sentir nele se encerra.
Vendo-o, formai de mim vosso juízo;
Se o encontrardes ledo,
Contai que descobristes o segredo
Do meu prazer... — vereis — sou todo riso.
Mas, se, ao contrário, virdes o quebranto
Da tristeza em seu rosto,
Julgai-me logo a padecer exposto;
Sabei logo o que sou... sou todo pranto.
Se o virdes pôr em mim seus olhos belos,
Seus lábios me sorrindo,
E seu seio a ondular cândido e lindo... —
O que eu sou — decifrai — sou todo anelos.
Se uma palavra der-me, à semelhança
Das palavras, do céu,
Do coração rasgai-me o tênue véu,
E aí lede o que sou — sou todo esp’rança!
Contemplai a que amo. — Ora em langores
Quase desfalecida;
Ora toda expressão, incêndio e vida —
E dir-me-eis se hei-de, ou não, morrer de amores.
Homens! Eis o que sou! — Dos trovadores
O que mais sofre e sente;
Por este coração, por esta mente,
Sou todo inspirações, sou todo amores!