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1826–1864

II

Laurindo José da Silva Rabelo

Indagais meu sofrer! Buscai na terra O ente mais formoso, Aquele que do céu for mais mimoso — Que todo meu sentir nele se encerra.

Vendo-o, formai de mim vosso juízo; Se o encontrardes ledo, Contai que descobristes o segredo Do meu prazer... — vereis — sou todo riso.

Mas, se, ao contrário, virdes o quebranto Da tristeza em seu rosto, Julgai-me logo a padecer exposto; Sabei logo o que sou... sou todo pranto.

Se o virdes pôr em mim seus olhos belos, Seus lábios me sorrindo, E seu seio a ondular cândido e lindo... — O que eu sou — decifrai — sou todo anelos.

Se uma palavra der-me, à semelhança Das palavras, do céu, Do coração rasgai-me o tênue véu, E aí lede o que sou — sou todo esp’rança!

Contemplai a que amo. — Ora em langores Quase desfalecida; Ora toda expressão, incêndio e vida — E dir-me-eis se hei-de, ou não, morrer de amores.

Homens! Eis o que sou! — Dos trovadores O que mais sofre e sente; Por este coração, por esta mente, Sou todo inspirações, sou todo amores!

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