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1826–1864

II

Laurindo José da Silva Rabelo

Que é feito, ó Primavera, Das frescas odoríferas grinaldas Que a fronte te adornavam? Murchas caíram; jazem esmagadas

Aos pés de gelo do caduco inverno! Os pomos sazonados, Que pendiam das árvores frondosas, Orgulho e pompa dos alegres prados,

Ei-los dispersos pelo chão molhado Do pranto que em tristeza o céu derrama, Ao ver-lhe a fronte merencória e pálida, Debruçada do cume das montanhas,

Com lágrimas saudar do sol os raios, Qual mísero vivente, a quem torturam As galas da alegria. Beijada pelos zéfiros — c’roada

De viçosas capelas, — pelos bosques, Jardins, e prados, e alcantis dos montes, Eu a vi passear; — vi toda a terra De flores se cobrir, trajar verduras,

Ao toque de seus passos; Vi... mas mudou-se da estação ridente O quadro encantador; — e já bramidos Dos desatados temporais proclamam —

Que é morta a Primavera.

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