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1826–1864

II

Laurindo José da Silva Rabelo

É triste o seu fadário: mas ao menos Oh! bálsamo do céu, piedosas lágrimas! Da infeliz peregrina a dor pungente Um pouco mitigais.

E só me alento Quando posso chorar: são meus prazeres Um banquete de lágrimas! Mil vezes Alegre ter-me-ão visto entre os alegres,

Conversando, soltar ditos chistosos A rir e fazer rir. Um drama a vida Não é? Porque julgar-se do semblante, Do semblante, essa máscara de carne

Que o homem recebeu para entrar no mundo, O que por dentro vai? É quase sempre, Se há estio no rosto, inverno n’alma. Confesso-me ante vós; ouvi, contentes!

O meu riso é fingido; sim, mil vezes Com ele afogo os ecos de um gemido Qu’imprevisto me chega à flor dos lábios; Mil vezes sobre as cordas afinadas

Que tanjo, o canto meu acompanhando, Cai pranto. Oh! praza ao céu qu’inda o não vísseis! Eu me finjo ante vós, que o fingimento É no lar do prazer prudência ao triste.

Louco fora por certo o que cantasse D’exéquias hino em bodas: ou de noiva, Qu’em transportes de amor o esposo abraça, Crepe de viuvez lançasse ao tálamo.

Eu me finjo ante vós porque venero O sublime das lágrimas; conheço-as; São modestas Vestais, vivem no ermo, Aborrecem festins; olhos que o fogo

Do banquete acendeu-lhes são odiosos: Descidas lá do céu, Virgens do Empírio, Têm vestes de cristal, temem manchá-las. Bem fechadas nos claustros de meus olhos,

Dentro em meu coração hei de escondê-las, Guardá-las bem de vós, contentes, hei-de, Porque a dor me não traia neste empenho, Zelosa e vigilante sentinela,

Em meus lábios trazer constante um riso.

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