Morreu! aquela mágica trombeta,
Que, das leis em defesa trovejando,
Fez tremer e tingiu da cor do medo
De protervos mandões soberbas frontes,
Jaz por terra calada! Aquela boca,
Que em turbilhões sonoros de eloquência
Raios vibrava, gélida mordaça
Para sempre fechou! O caudal rio,
Que no curso afanoso prometia
Tanta fertilidade ao pátrio solo,
Seca total sorveu! Por que, ó Pátria,
Não pôde o pranto teu de novo enchê-lo?
Por que não pôde férvido caindo
Sobre a fatal mordaça derretê-la,
E de novo acordar da tuba as vozes?
As entranhas da morte são de pedra;
Coração jamais teve a hidra ímpia;
Carnes humanas come, bebe lágrimas;
Só respira suspiros dolorosos
E ais agonizantes; comovê-la
Não pode a tua dor aflita, Pátria!
Hás de vê-la dormindo aos ecos dela,
E o mostro rir-se de prazer cruento
Ao ver o pranto teu banhar-lhe o sólio.
Mas não te desesperes, Mãe querida,
Há nos cofres da dor certos segredos
Que os míseros só sabem. São amigos,
Amigos bem fiéis da mágoa os filhos.
Um gemido consola outro gemido,
Uma lágrima outra. Desde o berço
Para eterno chorar n’alma cavou-me
Da desgraça o punhal fontes de pranto,
Que de Assis pela morte transbordaram.
Pátria! seremos sócios na amargura!
Baga com baga juntas, nossas lágrimas —
Cristalina torrente de saudades —
Unidas regarão do Herói a campa.