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1826–1864

I

Laurindo José da Silva Rabelo

Homens, que vedes-me a passar sombrio Pela estrada que vai da vida à morte! Talvez buscais saber meu que de vida — O que sou, que serei, qual é meu norte.

Caso oculto de amor — certo — supondes, Que um moço trovador é sempre amores: Nem pode outro condão sobre seu peito, Nem se acurva — tão cedo — a outras dores.

Julgais bem; — porém pouco... que em minha alma Amor plantou — mais fundo — o seu feitiço: Dai mais peso ao que eu sinto, homens, que trago O viver, como vedes, tão submisso!

Não cuideis que o penoso sentimento, Que toda prende a amor minha existência, É como este sentir que todos sentem, De um dia, sem ardor, sem veemência!

Também já assim amei, se amor se pode Chamar essa ilusão de namorado, Mas hoje esse sentir me é tão da vida Que, se ele me faltar, ver-me-eis finado.

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