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1826–1864

I

Laurindo José da Silva Rabelo

Sobre as asas de fogo Da águia ardente que no espaço voa, Saudado pelo cântico das aves, De flores perfumado,

Entre nuvens de púrpura — risonho Nos céus assoma o dia. O exército dos astros afugentam Seus coruscantes raios;

E passeia garboso pelo espaço, Como triunfador pela campina, Donde expulsara as hostes inimigas. Lá no meio da arena do triunfo,

Como um olho de Deus devassa o mundo: As plantas que a manhã de vida enchera, Com seu intenso ardor, bárbaro cresta — Qual jovem indiscreto, em loucos dias

De vulcânica idade, No coração desseca, mata, extingue Sentimentos que a infância alimentara... Da glória ao grau supremo

Subiste, ó rei; humilha-te — vassalo Também és do Senhor — descer te cumpre. Ei-lo que abdicou — Já vai tardio Pela estrada do ocaso, e já tristonha

Lhe escorre pelo rosto a luz enferma! Sobre leito de chumbo se reclina, — E, no momento extremo, Seus olhos chamejantes

Extremo olhar saudoso à terra volvem. Último arranco!... Cai desfalecido Nos braços do crepúsculo. Morreu o dia; — e a noite piedosa

Em seu manto de dó lhe envolve o túmulo.

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