Já seca pende morta essa grinalda
Que outrora me adornou!
Da inspiração a luz que me animava
De todo se apagou!...
Os astros de luz tão bela
Estão sem claridade;
Apagaram-se todos, mal ergueu-se
O astro da verdade
Fui livre quando, louco! no infinito
Voava da demência;
A razão cativou minh’alma presa
Nos ferros da evidência.
Fecharam-se os jardins da fantasia,
Nem há mais uma flor!
Domina-me a razão — como ser livre,
Sendo de mim senhor?
Se, conhecendo o mundo limitado
Perante os meus projetos,
Os vôos enfreei do entusiasmo,
Prendi os meus afetos?
Minh’alma nos limites circunscrita
Da franca humanidade,
Abandonou a posse do infinito
Perdeu a liberdade.
A lanterna da exp’riência
Com seu escasso clarão
Não pode mostrar imagens
Do mundo da inspiração.
A verdade deste mundo
Seca, morta, sem fulgor,
Não deixa medrar as flores
Da palma do trovador.
A pobre realidade
Que o mundo inteiro respira:
O trovador não encontra
Nas notas da sua lira.
Das verdades deste mundo
A misérrima visão
Adormece, mata, extingue
O fogo da inspiração.
Mas, assim como a lâmpada que exala
A vida no seu último lampejo,
O meu último canto hoje dar quero
À glória dos teus anos. Sim, um hino,
Um hino de amizade, extremas notas
Sejam da lira que, jamais manchada
De infame adulação, só dedicou-se
À virtude, ao amor, aos bons amigos
E à pátria, que a despreza!...