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1826–1864

I

Laurindo José da Silva Rabelo

Já seca pende morta essa grinalda Que outrora me adornou! Da inspiração a luz que me animava De todo se apagou!...

Os astros de luz tão bela Estão sem claridade; Apagaram-se todos, mal ergueu-se O astro da verdade

Fui livre quando, louco! no infinito Voava da demência; A razão cativou minh’alma presa Nos ferros da evidência.

Fecharam-se os jardins da fantasia, Nem há mais uma flor! Domina-me a razão — como ser livre, Sendo de mim senhor?

Se, conhecendo o mundo limitado Perante os meus projetos, Os vôos enfreei do entusiasmo, Prendi os meus afetos?

Minh’alma nos limites circunscrita Da franca humanidade, Abandonou a posse do infinito Perdeu a liberdade.

A lanterna da exp’riência Com seu escasso clarão Não pode mostrar imagens Do mundo da inspiração.

A verdade deste mundo Seca, morta, sem fulgor, Não deixa medrar as flores Da palma do trovador.

A pobre realidade Que o mundo inteiro respira: O trovador não encontra Nas notas da sua lira.

Das verdades deste mundo A misérrima visão Adormece, mata, extingue O fogo da inspiração.

Mas, assim como a lâmpada que exala A vida no seu último lampejo, O meu último canto hoje dar quero À glória dos teus anos. Sim, um hino,

Um hino de amizade, extremas notas Sejam da lira que, jamais manchada De infame adulação, só dedicou-se À virtude, ao amor, aos bons amigos

E à pátria, que a despreza!...

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