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1826–1864

I

Laurindo José da Silva Rabelo

Este mundo é-me um deserto Por onde um vulcão passou, E gravada a minha história Em traços negros deixou.

São-lhes tetos bronzeados Escuros, medonhos céus, Onde bramam tempestades Em contínuos escarcéus.

Só, por ele vai minh’alma, Nos destroços tropeçando, Com passo tardio e incerto Tristemente caminhando.

Marcha... marcha... enfim, cansada De tão longo caminhar, Nalguma pedra que encontra Descansa, e põe-se a chorar.

Olha o céu... nem uma estrela! Olha a terra... é negro chão! Clama em brados por socorro, Só responde o furacão!

Nos olhos seca-lhe o pranto... Continua a caminhar, E noutra pedra distante Descansa, e põe-se a chorar.

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