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1826–1864

Glosa

Laurindo José da Silva Rabelo

Como rompe cintilante O fuzil ferrenho véu De tempestuoso céu E o deixa negrejante,

Nasceu, morreu num instante A minha doce ventura. Aflito em tanta amargura, Buscando então consolar-me,

Solitário fui sentar-me Junto de uma sepultura. Ali, triste meditando Em minha cruenta sorte,

Parecia estar com a morte Horas felizes passando. Da brisa o sussurro brando, A corrente do ribeiro,

Das flores o grato cheiro Nada achava então suave Era qual dos mortos ave À sombra de seu salgueiro.

Toquei a laje pesada Penetrado de agonia, Sentiu essa pedra fria Minha alma, triste, gelada.

Eis que a voz descompassada Ouvi do canto da morte; Pareceu-me em um transporte Seu triste acento escutando,

Que também ‘stava chorando, Lamentando a minha sorte. Então, já desesperado, Entregue a pungente dor,

Conheci todo o rigor De meu desumano fado; E nesse penoso estado, À sombra desse salgueiro

Que me era tão lisonjeiro Por exprimir minha sorte, Em tristes hinos de morte Chorei o meu cativeiro.

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