Como rompe cintilante
O fuzil ferrenho véu
De tempestuoso céu
E o deixa negrejante,
Nasceu, morreu num instante
A minha doce ventura.
Aflito em tanta amargura,
Buscando então consolar-me,
Solitário fui sentar-me
Junto de uma sepultura.
Ali, triste meditando
Em minha cruenta sorte,
Parecia estar com a morte
Horas felizes passando.
Da brisa o sussurro brando,
A corrente do ribeiro,
Das flores o grato cheiro
Nada achava então suave
Era qual dos mortos ave
À sombra de seu salgueiro.
Toquei a laje pesada
Penetrado de agonia,
Sentiu essa pedra fria
Minha alma, triste, gelada.
Eis que a voz descompassada
Ouvi do canto da morte;
Pareceu-me em um transporte
Seu triste acento escutando,
Que também ‘stava chorando,
Lamentando a minha sorte.
Então, já desesperado,
Entregue a pungente dor,
Conheci todo o rigor
De meu desumano fado;
E nesse penoso estado,
À sombra desse salgueiro
Que me era tão lisonjeiro
Por exprimir minha sorte,
Em tristes hinos de morte
Chorei o meu cativeiro.