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1826–1864

Glosa

Laurindo José da Silva Rabelo

Já luziu no firmamento Do sol a luz radiante, Já seu raio fulgurante Deu ao mundo luzimento;

Com sublime encantamento Já espargiu a alegria; Porém, ó céu, quem diria Que o sol havia expirar?!

Lá o vejo descambar, Soa o bronze, expira o dia. Vendo pois, da natureza O quadro todo mudado,

Comparo-me ao seu estado, Me punge mortal tristeza Já não vendo esta beleza Que o sol faz o mundo ter.

Vendo a noite já descer Com suas cores de morte, Lendo nela minha sorte, Eu fico triste a gemer.

Assim entregue ao azar Triste vítima do fado, Vivo sempre contristado E de contínuo a penar;

Debalde busco encontrar Da felicidade o matiz Tudo que me cerca diz: “Vê lá das trevas no horror

A imagem triste da dor; Eis qual vive o infeliz.” Ouço a sentença da sorte, Mais se magoa o meu peito,

E ainda à vida sujeito, Lamento não ver a morte, De dor em vivo transporte, Só desejo não morrer;

Desejo então mais sofrer, Porém, como sou cativo, Nem posso morrer nem vivo. Eis aqui o meu viver.

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