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1826–1864

FOI EM MANHÃ DE ESTIO

Laurindo José da Silva Rabelo

Foi em manhã de estio De um prado entre os verdores, Que eu vi os meus amores Sozinha a cogitar.

Cheguei-me a ela, Tremeu de pejo... Furtei-lhe um beijo, Pôs-se a chorar.

Eram-lhe aquelas lágrimas Na face nacarada Per’las da madrugada Nas rosas da manhã.

Santificada Naquele instante, Não era amante, Era uma irmã.

Dobrados os joelhos Os braços lhe estendia, Nos olhos me luzia Meu inocente amor.

Domina a virgem Doce quebranto, Seca-se o pranto, Cresce o rubor.

Nestes teus lábios De rubra cor, Quando tu ris-te Sorri-se amor.

Dos lindos olhos, Tens o fulgor, Se p’ra mim olhas Raios de amor.

De teus cabelos De negra cor, Forjam cadeias Brincando amor.

Neles p’ra sempre, Servo ou senhor, Viver quisera Preso de amor.

Rosas que tingem Fresco rubor Nas tuas faces Espalha amor.

Se de minh’alma Com todo o ardor, Chego a beijá-las Morro de amor.

Tua alma é pura Celeste flor, Só aquecida Por sóis de amor.

Já em ternura, Já em rigor, Dá vida e morte, Ambas de amor.

Quando a perturba Casto pudor, Encolhe as asas Tremendo amor.

Se do ciúme Sente o fulgor, Em mar de chamas Se afoga amor.

Se me concedes Terno favor Terei por lume Somente amor.

Porém no templo Mandarei pôr O teu retrato Em vez de amor.

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