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1826–1864

CANTO VII

Laurindo José da Silva Rabelo

Potentados soberbos! vinde, vinde Ver um quadro sublime, Onde lampeja a glória da virtude, E se aniquila o crime!

Isabel sobre o leito d’agonia Saúda a eternidade, Que assentada nos túmulos apaga A luz da majestade...

Instante acerbo, que ao tirano causa Desusado terror, Porque vai baquear, cair do trono, Aos pés de seu Senhor!...

Por ver que no sepulcro se evaporam Seus queridos emblemas, Seus mantos, seus palácios e seus tronos, Seus cetros, seus diademas;

Porque vê, como um astro ensanguentado Em céu enegrecido, Sua alma aflita divagar da morte No lar desconhecido!...

Instante acerbo, em que p’ra consolo Nem mesmo os olhos seus Podem por um momento só fixar-se Sobre os olhos de Deus!...

E com razão bastante contemplá-los Não pode o infeliz: Seus crimes são horrendos, Deus é justo, E Deus é seu Juiz!!!...

O anátema do céu parece ao triste Do sacerdote a bênção, E o rosto volta, procurando aflito Fugir da maldição!

Isabel vê tranquila da existência O último raiar; Nesse instante solene nada pode Sua alma perturbar!

A lembrança de trono, que perdia, Não a pode afligir; Pois lá da sepultura um novo trono De glória vê surgir.

Não é uma rainha que prostrada Do sólio cair vai; É a filha feliz que alegre voa Aos braços de seu pai.

Nem sequer uma idéia criminosa Lhe mancha o pensamento, Que, fixado no céu, tranquilo espera O último momento.

As costumadas preces de seus lábios Ao céu iam parar, E do céu lhe traziam santas graças Que a vinham consolar.

Lágrimas verte; mas quanta virtude Expressa pranto tal?!... Exprime de seus filhos e do povo Saudade maternal.

Das asas de sua alma só pena Ao mundo estava presa; Que dos filhos no peito segurava A mão da natureza!

Despegou-se afinal, voou da terra Ao céu leda e serena, Para o céu nos levou prazer consigo, Deixou do mundo a pena.

Só restos insensíveis nos ficaram Daquele ser benigno; Só este bem nos deixou na terra O anjo do destino!...

Ó povos! colocai-o num funéreo Eterno monumento; Que a vossa gratidão declare aos séculos O seu merecimento.

Esta inscrição gravai em letras d’ouro No régio mausoléu; “Seu corpo tem altares cá na terra, “Sua alma lá no céu!...”

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CANTO VII · Laurindo José da Silva Rabelo · Poetry Cove