Na primavera da vida
Viu o mundo, sobre o trono,
Isabel aparecer
Tão pura como a inocência,
Tão bela como o prazer.
Sua alma não era humana,
Era um anjo, que do céu
Todas as graças vestia;
Seu corpo templo sagrado,
No qual o anjo vivia.
Mas o brilho desse templo
O tempo, sempre inconstante,
Pouco a pouco destruiu;
Sua bela arquitetura
A ruínas reduziu.
O anjo, que viu caído,
Em terra desmoronado,
Seu asilo encantador,
Foi buscar outra morada
Na mansão do Criador.
Lá ficou, e para sempre!
E o tempo, algoz cruento,
Só a destroços votado,
Vai consumir as ruínas
Do edifício sagrado.
E a cinzas reduzir
Aquela que viu o mundo
O régio ceptro reger,
Tão pura como a inocência,
Tão bela como o prazer.
Mas que importa? pode o tempo
Pela morte auxiliado,
Sua existência ferir;
Há de lá na sepultura
Os seus restos consumir.
Porém triunfam do tempo
Suas heróicas virtudes;
Isabel vive na glória,
Isabel viverá sempre
Do universo na memória.