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1826–1864

CANTO VI

Laurindo José da Silva Rabelo

Na primavera da vida Viu o mundo, sobre o trono, Isabel aparecer Tão pura como a inocência,

Tão bela como o prazer. Sua alma não era humana, Era um anjo, que do céu Todas as graças vestia;

Seu corpo templo sagrado, No qual o anjo vivia. Mas o brilho desse templo O tempo, sempre inconstante,

Pouco a pouco destruiu; Sua bela arquitetura A ruínas reduziu. O anjo, que viu caído,

Em terra desmoronado, Seu asilo encantador, Foi buscar outra morada Na mansão do Criador.

Lá ficou, e para sempre! E o tempo, algoz cruento, Só a destroços votado, Vai consumir as ruínas

Do edifício sagrado. E a cinzas reduzir Aquela que viu o mundo O régio ceptro reger,

Tão pura como a inocência, Tão bela como o prazer. Mas que importa? pode o tempo Pela morte auxiliado,

Sua existência ferir; Há de lá na sepultura Os seus restos consumir. Porém triunfam do tempo

Suas heróicas virtudes; Isabel vive na glória, Isabel viverá sempre Do universo na memória.

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CANTO VI · Laurindo José da Silva Rabelo · Poetry Cove