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1826–1864

ALEGRIA E AGRADECIMENTO

Laurindo José da Silva Rabelo

Do corpo os olhos mortos, Senhor, temos em vida; Porém na desabrida Mágoa do mal atroz,

Celeste medicina A nossa dor acalma; Propícia aos olhos d’alma A luz nos vem de vós.

A luz da inteligência, Crescente pelo estudo, Na claridade, em tudo Que a outra vale mais.

A luz externa a tudo Concede a providência; A luz da inteligência Só toca aos racionais;

E esta vos devemos. O cego desvalido Por vós hoje instruído Calcula, escreve e lê,

Se em trevas tropeçando Só tem no mundo escolhos, Aos céus levanta os olhos, E vê o que alma vê.

Monarca no poder, Monarca na bondade, Na dupla majestade Com que sois rei, senhor,

Se tendes quem beijar-vos A mão de rei deseje, Mais tendes quem vos beije A mão de benfeitor.

E quanto as obras vossas Por Deus são estimadas, Na esposa e prole amadas Mais que patente está;

Nas ditas, na ventura Que tendes no seu grêmio, Dos bens que dais, em prêmio Na terra, o céu vos dá.

Deste reinado a história De glória e f’licidade, Para adorar-vos há de O mundo inteiro ler.

Hão de escrevê-la sábios De méritos subidos, Mas hão de os desvalidos A mor parte escrever.

Então, também louvando Voss’alma benfazeja, Um cego que mais veja, Dos muitos que aqui estão

(Talvez em prosa altiva, Ou sublimado metro), Dirá que o vosso cetro Dos cegos foi bordão.

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