Entre as frutas que há no mundo
Não há uma fruta irmã
Na beleza e na doçura
Da que se chama romã.
Tem coroa de rainha,
Roxa cor na casca tem,
Quando racha, me retrata
A boquinha de meu bem.
Nos meus lábios sequiosos
Dum néctar sinto a doçura
Quando sedento lhe ponho
A boca na rachadura.
Pela primeira vez vi
Num jardim pela manhã,
O meu bem que em vez de flores
Só trazia uma romã.
DE TI FIQUEI TÃO ESCRAVO
De ti fiquei tão escravo
Depois que teus olhos vi,
Que só vivo por teus olhos,
Não posso viver sem ti.
Contemplando o teu semblante
Sinto a vida me escapar.
Num teu olhar perco a vida,
Ressuscito noutro olhar.
Mas é tão doce
Morrer assim.
Lília, não deixes
De olhar p’ra mim.
Num raio de teus olhares
Minh’alma inteira perdi.
Se tens minh’alma nos olhos,
Não posso viver sem ti.
A qualquer parte que os volvas,
Minh’alma sinto voar,
Inda que livre nas asas,
Presa só no teu olhar.
Mas é tão doce
Prisão assim.
Lília, não deixes
De olhar p’ra mim.
Que era meu fado ser teu
Ao ver-te reconheci,
Não se muda a lei do fado,
Não posso viver sem ti.
Por não ver inda completa
Minha doce escravidão,
Se me ferem teus olhares,
Choro sobre meu grilhão.
Mas é tão doce
Prisão assim.
Lília, não deixes
De olhar p’ra mim.