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1826–1864

A ROMÃ (lundu)

Laurindo José da Silva Rabelo

Entre as frutas que há no mundo Não há uma fruta irmã Na beleza e na doçura Da que se chama romã.

Tem coroa de rainha, Roxa cor na casca tem, Quando racha, me retrata A boquinha de meu bem.

Nos meus lábios sequiosos Dum néctar sinto a doçura Quando sedento lhe ponho A boca na rachadura.

Pela primeira vez vi Num jardim pela manhã, O meu bem que em vez de flores Só trazia uma romã.

DE TI FIQUEI TÃO ESCRAVO De ti fiquei tão escravo Depois que teus olhos vi, Que só vivo por teus olhos,

Não posso viver sem ti. Contemplando o teu semblante Sinto a vida me escapar. Num teu olhar perco a vida,

Ressuscito noutro olhar. Mas é tão doce Morrer assim. Lília, não deixes

De olhar p’ra mim. Num raio de teus olhares Minh’alma inteira perdi. Se tens minh’alma nos olhos,

Não posso viver sem ti. A qualquer parte que os volvas, Minh’alma sinto voar, Inda que livre nas asas,

Presa só no teu olhar. Mas é tão doce Prisão assim. Lília, não deixes

De olhar p’ra mim. Que era meu fado ser teu Ao ver-te reconheci, Não se muda a lei do fado,

Não posso viver sem ti. Por não ver inda completa Minha doce escravidão, Se me ferem teus olhares,

Choro sobre meu grilhão. Mas é tão doce Prisão assim. Lília, não deixes

De olhar p’ra mim.

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