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1826–1864

À MORTE DE JUNQUEIRA FREIRE

Laurindo José da Silva Rabelo

Do retiro claustral cisne sagrado O vôo desprendeu! Enchendo os ares pátrios de harmonias Cantou, depois morreu!

Mistério! — Ave criada entre os altares, Acaso a turba impura Do mundo com seu bafo envenenado Abriu-te a sepultura?!

Punindo-te o desprezo de seus lares O Anjo de Sião Por ordem do Senhor tão presto deu-te A morte, em punição?!

Preso o espírito, acaso, nas cadeias Do voto eterno e forte Teve, na luta acerba espedaçando-as, Por liberdade a morte?!

Mistério! — Respeitemos nesta campa Decretos divinais! Sobre as cinzas do morto ao vivo toca O pranto e nada mais!

Rei que fora! — Era um servo que devia A vida ao Senhor seu! Seu Senhor o chamou, a voz ouviu-lhe E pronto obedeceu!

Duvidais do que digo? — Erguei a campa... Esse corpo o que é?! E negareis ainda que era um servo?! Aí tendes a libré!

Viveu como poeta, de poeta Deixou o canto e a fama. Inda no crânio morto tem — bem vedes — Do louro verde a rama!

Leste-lhe a poesia? Eram arquejos D’um coração aflito! De uma alma que ensaiava na matéria Os vôos do infinito!

Voou!... Cisne de luz, adeja livre Mau grado a humanidade! Os hinos dos arcanjos são seus hinos Seu mundo — a eternidade!

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