Do retiro claustral cisne sagrado
O vôo desprendeu!
Enchendo os ares pátrios de harmonias
Cantou, depois morreu!
Mistério! — Ave criada entre os altares,
Acaso a turba impura
Do mundo com seu bafo envenenado
Abriu-te a sepultura?!
Punindo-te o desprezo de seus lares
O Anjo de Sião
Por ordem do Senhor tão presto deu-te
A morte, em punição?!
Preso o espírito, acaso, nas cadeias
Do voto eterno e forte
Teve, na luta acerba espedaçando-as,
Por liberdade a morte?!
Mistério! — Respeitemos nesta campa
Decretos divinais!
Sobre as cinzas do morto ao vivo toca
O pranto e nada mais!
Rei que fora! — Era um servo que devia
A vida ao Senhor seu!
Seu Senhor o chamou, a voz ouviu-lhe
E pronto obedeceu!
Duvidais do que digo? — Erguei a campa...
Esse corpo o que é?!
E negareis ainda que era um servo?!
Aí tendes a libré!
Viveu como poeta, de poeta
Deixou o canto e a fama.
Inda no crânio morto tem — bem vedes —
Do louro verde a rama!
Leste-lhe a poesia? Eram arquejos
D’um coração aflito!
De uma alma que ensaiava na matéria
Os vôos do infinito!
Voou!... Cisne de luz, adeja livre
Mau grado a humanidade!
Os hinos dos arcanjos são seus hinos
Seu mundo — a eternidade!